domingo, 8 de setembro de 2013

Continuando – 1

Tiros de Bacamarte


Bacamarteiro Victor Hugo - Pageú


Mais um "furo na lona". Chega a notícia de que eu havia ganho o prêmio do concurso de monografias. Como eu era bem nova, não tinha ainda a dimensão da importância daquele prêmio. A notícia chegou por telefone na casa de minha mãe, e ela foi logo me avisar. Meu saudoso irmão  Ricardo (o Deca) entrou anunciando Élsie! Élsie! Arrume a mala que você vai ter que viajar! Segundo nota divulgada em Jornal,  A monografia "Ternos do Congo-Atibaia", de Élsie da Costa Girardelli, foi a vencedora do prêmio Sílvio Romero deste ano, concedido pela Funarte, cujo objetivo é incentivar o estudo e a pesquisa da arte popular brasileira em suas mais diversas manifestações. Residente em Atibaia, São Paulo, Elsie da Costa Giradelli receberá seu prêmio na terça feira, em João Pessoa, durante a Sexta Festa do Folclore Brasileiro, promovida pela Funarte através da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro. Criado em 1959, o concurso Sílvio Romero teve, este ano, 55 trabalhos concorrentes, sendo que apenas 25 atenderam aos requisitos mínimos do regulamento e foram classificados. Além da monografia vencedora, foram escolhidos mais dois trabalhos que receberam menção honrosa: "Rezadores, Pajés e Puçangas", do Paraense Artur Napoleão Figueiredo e "Dinheiro, veículo de comunicação popular", da mineira Alice Inês Silva Merheb. No Juri do concurso estavam Théo Brandão (Theotônio Vilela Brandão, de Alagoas, membro fundador da Comissão Nacional de Folclore) , Guilherme Santos Neves (do Espírito Santo) e Vicente Salles (do Pará – escritor, pesquisador, historiador, folclorista e musicólogo). Com quase cinco meses de gestação segui a caminho de João Pessoa. Foi uma comitiva no avião.

Entrega Oficial do Prêmio Silvio Romero,  por Braulio do Nascimento.


Dentre os pesquisadores presentes no VI Festa do Folclore Brasileiro, Marlise Meyer, Raul Córdula Filho, Maria do Rosário, Altimar Pimentel, Raul Lody, M.Lurdes Borges Ribeiro,  Bráulio do Nascimento, entre outros. Um ônibus levou-nos, toda a comitiva,  à cerimônia de abertura. Chegando ao local, ao descer do ônibus, fomos recebidos por uma banda marcial. Um locutor conduzia a cerimônia. Após a apresentação da banda, os Congos de saiote, de Pombal. O povo aglomerava-se em torno. Por fim, o locutor pedia ao público que se afastasse para abrir espaço aos Bacamarteiros. O bacamartismo é um amplo movimento cultural de tradição presente em vários estados do nordeste, durante festejos juninos.Um leve empurra empurra, mas nada de se abrir o espaço. O chefe então foi entrando e abrindo pequena área. Assim que viu que era suficiente, deu o primeiro tiro. Buuuuuum!!! Noooossaaaa!!! Foi só gente dando no pé, e rapidinho a área se abriu. Um, dois, três, tiros...tamanho o estrondo e a chama da “porva”, foi um verdadeiro espalha roda. A apresentação foi deslocada e terminou à beira da lagoa. Os tiros de bacamarte, são tiros pela paz. Para mim representou grande alegria. A chance tão sonhada, na adolescência, de conhecer as festas, as tradições, a cultura do meu país.

Momento de apresentação do Cavalo Marinho. Marlise Meyer à esquerda e Élsie à direita



















Élsie Monteiro da Costa – 5 de setembro de 2013.

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